as viagens, antes, durante e …

By anatol

bem, como começar descrever este pensamento …?
embora com vontade de compartilhar, ele fica preso, aí, no meu universo não-verbal, sem muita vontade de sair.

as viagens então, …
elas começam com uma ideia, depois, lentamente, se vai formando um plano, tênuo primeiro,  ganhando força, também lento, pelo menos para quem tem muita ansiedade de viagem.

aqui um possível exemplo de preparação:
toda a preparação se torna relativa quando se olha para o previsível imprevisto, e, sendo assim tem aqui outro exemplo:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

acontece que quero partilhar a viagem, não a preparação, não que esta seja menos importante ou dispensável no relato, somente não é o ponto central …
e assim, com o compromisso do relato acompanhando todo pensamento durante, tiramos fotos, pensamos como descrever isto ou aquilo, e como nos aconteceu, mas nada nos prepara para o momento do relato, esse momento em que é preciso juntar tudo e fazer uma embalagem compreensível de todo pensamento distraido.
ficam as memórias passageiras das passagens e paisagens, sempre pessoais, quase que intransmissíveis e sempre ligadas às fotografias ou à  um papelito de uma conta, enfim, uma lembrança qualquer, que, com o tempo, mesmo guardado em lugar seguro, alí no fundo do bolso, onde tudo é guardado por ordem de entrada, perde a sua utilidade de sustento de memória.
como posso transmitir por escrito o que me liga tão intensamente à um recibo de pedágio?
claro que o pedágio em si somente consegue provocar uma ligeira revolta, aqui, bem no fundo, e daí?
há qualquer coisa que liga esse papelito à mais, coisa que não está escrito nem no papelito nem nos preços ou justificações dos pedágios.
(uma pequena nota de rodapé poderia aqui dizer que um pedágio é chamado de portagem do outro lado do atlântico, não alterando o seu conceito de extorção)
fotografias, essas sim, conseguem captar um pouco da memória, mas em duas dimensões? assim, paradas no tempo, como se nada pudesse alterar aquele momento?
percorridos quilómetros para além do ponto exacto, uma coisa que a fotografia, embora com ou sem intenção, carrega em si, a imagem que tentei captar ainda está viva, se mistura com novas impressões e provoca outras e por aí fora.
mesmo assim vou tentar!
vou monstrar as fotografias com as quais tentei captar a viagem e escrever sobre elas.

a linha, que se extende para além do horizonte, aqui é chamada de estrada, rodovia, BR com um número que não explica muita coisa ao leigo, ou, pura e simplesmente, de via.
para nos, que viajamos por esta linha, é o caminho. é por aí que vamos ter que seguir , já que as alternativas, para chegar ao lugar previamente destinado na exaustiva preparação da viagem, são inexistentes.
embora possa parecer monótona, é interrompida por mudanças, em nos, na paisagem ou então pelo tempo ou outros viajantes.

 

a chuva força a concentração do viajante para a própria via, desviando-a do caminho.

facto é, que também a via, ou BR com número, pode muito bem provocar o mesmo efeito, assumindo characterísticas do terreno que a rodeiam, ou então o último método disciplinar  contra condutores: a lomba.

 

 



esta última, por vezes, desvia a minha concentração relativa, que é aquela que acho apropriada à minha função de co-piloto, da via e do caminho para as memórias da preparação.
que lindo essa coisa ficou, penso, e já passou.

o que passa ao lado da linha aparentemente recta do nosso caminho é, ou poderá ser, muito mais interessante.
isto, que está aí, já está feito, já está. claro que isto não elimina a possibilidade de pensar como aquilo ali poderia ter sido melhor. mas já está.

a viagem é um lugar. de passagem. é um lugar de expectativas imaginárias. e deixa memórias, tão imaginárias como a sua origem, a expectatíva.

Posted from Campinas, São Paulo, Brazil.

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